• EDUCAÇÃO EMOCIONAL

O papel do educador para o desenvolvimento afetivo-emocional do estudante

Karina Silva Molon de Souza


A presente pesquisa pretendeu investigar como o educador enfrenta os problemas afetivo-emocionais dos estudantes. O objetivo geral consistia em verificar como os docentes de Séries Iniciais do Ensino Fundamental resolvem questões afetivo-emocionais de seus alunos. Dentre os objetivos específicos estavam: investigar as estratégias pedagógicas que os docentes se utilizam para resolver situações de conflito interpessoal; elencar as características comportamentais dos estudantes que mais preocupam os docentes e analisar como ocorreu a formação em relação aos aspectos afetivo-emocionais dos alunos. A abordagem metodológica foi a do Estudo de Caso do tipo qualitativo. Os participantes da pesquisa foram cinco docentes e sua turma de estudantes. A análise dos dados ocorreu de maneira qualitativa, através da Análise de Conteúdo Bardin (2007). Concluí que os docentes estão sobrecarregados de tarefas educacionais e demonstram estar desorientados, confusos quanto ao seu papel na vida dos estudantes. O tempo de serviço pode ser positivo na aprendizagem de estratégias para resolver as dificuldades afetivo-emocionais dos estudantes. Todos os docentes demonstraram dificuldade em perceber que os saberes experienciais são tão importantes quanto os saberes mestres. Eles comentaram sobre o caráter temporal dos saberes docentes, quando referiram-se acreditar serem esses insuficientes para abarcar a complexidade dos problemas escolares. Neste sentido, os professores comentaram sobre as novas competências que vêm assumindo frente aos alunos, associando-as aos quatro pilares da educação. É interessante acrescentar que os entrevistados não fizeram menção sobre a necessidade de aprender a conhecer mais sobre si mesmos, sua formação existencial e humanística. As principais queixas dos docentes, quanto ao desenvolvimento afetivo-emocional dos estudantes, estava relacionada à agressividade, à hiperatividade e à indisciplina. Os docentes reconheceram que as estratégias que se utilizam para enfrentar esses problemas não contém as problemáticas dos alunos. Os professores que participaram dessa pesquisa percebem-se despreparados para atender alunos com necessidades educacionais especiais. O estudo identificou a dificuldade do educador em associar metodologias criativas, lúdicas, interativas/virtuais à afetividade e aos conteúdos. Foi possível compreender que os docentes acreditam na parceria da família com a escola como uma estratégia importante quando se trata de identificar e intervir nos problemas afetivo-emocionais. Ficou evidente que a relação entre professores e família interfere na auto-estima do educador. Os educadores desempenham um papel grandioso na vida dos estudantes, mas para que seja possível cumprir com o compromisso de uma educação integral, várias reformas são necessárias, em nossa sociedade. Precisamos (re) aprender a educar as crianças, deveríamos repensar sobre a formação de professores, sem perder de vista a formação humanística existencial, valorizá-los, mais, socialmente, oferecendo-lhes melhores condições estruturais/organizacionais no trabalho e de salários equivalentes à importância que representam na nossa vida. E essa luta deve partir não só da escola, porque esse assunto diz respeito a todos nós. Trabalho publicado em Biblioteca Digital de Teses e Dissertações PUCRS Link: http://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/3577

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