• EDUCAÇÃO EMOCIONAL

Características e avaliação de programas brasileiros de atendimento educacional ao superdotado

Liliane Bernardes Carneiro


As propostas para educação de superdotados visam suplementar ou complementar as necessidades educacionais do aluno, oferecendo-lhe condições favoráveis ao desenvolvimento intelectual, criativo, social e emocional. A partir dessa perspectiva, essa investigação teve como objetivo mapear e avaliar programas de atendimento educacional para superdotados no Brasil. Os dados foram coletados em três etapas. Na primeira etapa, a investigação incidiu no levantamento de programas existentes no país. A segunda etapa constou do envio e recolhimento dos protocolos de investigação a representantes, coordenadores, professores e ou responsáveis pelos atendimentos ao superdotado e teve como finalidade a caracterização dos programas brasileiros. Na terceira etapa foram realizadas entrevistas para, principalmente, averiguar a percepção de gestores e professores quanto à avaliação que fazem dos programas dos quais participam. Os dados coletados pelo protocolo de investigação foram analisados por meio de estatística descritiva e as entrevistas por meio da análise de conteúdo. Os participantes da pesquisa tinham alto nível de formação profissional e experiência na área de educação. Os resultados demonstraram que grande parte dos programas era de natureza pública, muitos deles tinham quase uma década de existência e ainda não tinham consolidado seus serviços para atender as necessidades dessa demanda escolar. O número de superdotados atendidos nos programas brasileiros é irrisório, comparado ao quantitativo de alunos matriculados na educação básica, conforme Censo Escolar 2014. As regiões Sudeste e Centro-Oeste são as que apresentaram programas mais consistentes quanto às propostas de educação do superdotado e a região Nordeste foi a mais deficitária no que se refere à implementação de serviços para atender a essa demanda escolar. O referencial teórico adotado em grande maioria dos programas é o idealizado por Joseph Renzulli. Quanto à identificação, seleção e avaliação de alunos, notou-se que os professores são os que mais participam desse processo e usam a observação como prática usual nesse procedimento. Há prevalência na identificação de meninos. Nem todos os programas tinham em sua equipe de trabalho o profissional psicólogo. Em relação à orientação e apoio socioemocional à família, os participantes assinalaram que os programas oferecem esses serviços por meio de reuniões, palestras, cursos, entre outros. De forma geral, a avaliação dos profissionais não é muito positiva no que se refere às ações do Ministério da Educação (MEC) e das secretarias estaduais e municipais de educação na área de superdotação. Mas, quando foram avaliados os serviços oferecidos pelos programas nos quais atuam, os participantes tenderam a valorizá-los. Como ponto positivo dos programas, gestores e professores assinalaram à contribuição das atividades oferecidas no atendimento para o desenvolvimento do aluno, e como pontos a serem melhorados foram citados a infraestrutura e os recursos materiais. Espera-se que os resultados deste estudo tragam subsídios para outras pesquisas, ampliem a discussão sobre a inclusão dos superdotados em programas de atendimento educacional, e fomentem a reflexão sobre como gestores potencializam ações e serviços com vistas a melhorar e expandir as oportunidades educacionais no contexto escolar. Trabalho original publicado em Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações – BDTD Link: http://bdtd.ibict.br/vufind/Record/UNB_8f275c51440474bda463df655128bd9c

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